Uma revolta a ser imitada, para a boa saúde do planeta, onde quer que Deus, nas suas diferentes versões, seja invocado para justificar o obscurantismo e a violência. Principalmente no Oriente Médio, onde os monoteísmos se engalfinham há anos e cada versão de Deus tem suas razões para a intransigência. Israel é um Estado laico, mas o fundamentalismo religioso aliado à extrema direita, hoje no poder, o leva a comportar-se, muitas vezes, como uma teocracia impiedosa. O Hamas se sobrepôs à secular Autoridade Palestina porque prometia uma violência mais efetiva contra Israel, mas também pelo seu apelo religioso, pela promessa de que tinha um deus forte.
A nação que, de um jeito ou de outro, domina a região, com a bênção dos americanos, a Arábia Saudita, além de ser uma das teocracias mais retrógradas, é uma das últimas monarquias absolutas do mundo. O Irã tem pelo menos a desculpa de que o deus dos aiatolás reina sobre uma república.
Mas isto é um pobre consolo para quem vive num país em muitos sentidos moderno e com uma cultura notável e deve resignar-se a ser tutelado em tudo – da escolha de candidatos à escolha da roupa apropriada – por meia dúzia de clérigos com linha direta para Deus.
Milímetros
Não sei se você se deu conta: o mundo esteve à beira de uma catástrofe nesses últimos dias. Por uma questão de milímetros, a final da Copa das Federações não foi entre África do Sul e Estados Unidos. O que obrigaria todos os cronistas esportivos do mundo a mudar de profissão, ou dedicar-se exclusivamente ao pingue-pongue. Foi por pouco.
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