sábado, 12 de julho de 2008

Sobre 'Baratas'

Dizem que o nosso córtex cerebral é a maior conquista no processo evolucionário. Grande coisa.

Enquanto nos supre de inteligência e auto consciência, é com freqüência anulado por nossos instintos: que nos dizem pra reagir, não refletir, correr ao invés de ponderar.

Talvez tenhamos chegado ao máximo, e o próximo passo, seja ele qual for, será dado por seres criados pela própria tecnologia. Formas de vida que podemos desenhar e programar para serem restritas às regras de sobrevivência. Talvez esse passo já tenha sido alcançado em outro planeta, por organismos que estejam milhões de anos a nossa frente.

Se esses ‘seres’ já nos visitaram será que os reconheceríamos?

E será que eles reagiriam com horror ao verem tais criaturas primitivas?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A alegria do ladrão de galinha

Quem deve estar festejando a prisão do Daniel Dantas é o Ladrão de Galinha. Mesmo que o banqueiro já esteja solto, só o fato de vê-lo sendo levado pela polícia certamente encheu de alegria o coração do Ladrão de Galinha e o levou a gritar coisas como "Até que enfim!" dentro da sua cela superlotada, em algum lugar do território nacional.

O Ladrão de Galinha é aquela figura sempre citada do folclore brasileiro quando se fala das desigualdades da nossa Justiça, o cara que vai preso por um crime menor, sem apelos e recursos, enquanto crimes maiores ficam impunes, ou suspeitos de roubos maiores escapam da prisão.

O Ladrão de Galinha já tinha tido outros motivos para festejar, é verdade, desde que começou o novo ativismo da Polícia Federal, que de uns anos para cá tem prendido muita gente que ninguém esperava.

Mas o Daniel Dantas é diferente. Nem interessa ao Ladrão de Galinha saber se o Daniel Dantas é culpado ou inocente do que é acusado. Para ele, Daniel Dantas é um símbolo. O Ladrão de Galinha se considera o anti-Daniel Dantas. É seu oposto em tudo. Seu crime é sempre claro e indiscutível: ele rouba galinhas. É flagrado e preso e pronto. Nada mais insofismável. Já os "crimes" do Daniel Dantas, ou as suspeitas de crimes pelas quais ele agora foi preso, pertencem ao mundo crepuscular do empreendimento capitalista, onde as regras e os costumes, e a fronteira entre a falcatrua e o bom negócio, se diluem. Quer dizer, nada mais sofismável.

Há anos que Daniel Dantas opera nesse lusco-fusco moral, e nem nas críticas que recebe pode-se definir o que seja inveja ou estratégia inimiga e o que seja indignação genuína. Por isso, o extremo oposto a roubar galinhas não é o assassinato em série, ou outro crime tão enorme que absolva o Ladrão de Galinha pelo contraste. É o crime indefinido, o que impede o flagrante e dribla a Justiça pela indefinição, ou compra a definição favorável.

O Ladrão de Galinha tem, portanto, todo o direito de achar que, se prenderam o Daniel Dantas, as coisas estão mesmo mudando. E de fazer planos profissionais para a próxima vez que for solto: se estão prendendo os daniéis dantas, talvez estejam aliviando o roubo de galinhas.

(Luis Fernando Verissimo)

dia 18 vêm aew *-*


A morte de Heath Ledger no começo do ano colocou os olhos do público que esperava ansiosamente o lançamento de Batman: O Cavaleiro das Trevas sobre o vilão Coringa, último trabalho do ator australiano. O personagem, também a peça principal da campanha de divulgação do sucessor de Batman Begins, rouba a cena em todo o longa e se torna o vilão supremo de toda a franquia do Homem-Morcego.

Apresentado logo na primeira cena do filme, em um assalto a um banco que abastece a máfia, o Coringa é um agente do caos tomado pela racionalidade. Seus esquemas são tramados perfeitamente - e funcionam apenas porque são executados por um sádico que comete crimes pelo prazer de ver o sofrimento das pessoas e o enlouquecimento de toda uma cidade. Lutar com o Batman é apenas uma de suas diversões.

Apresentado o personagem que dá a linha para toda a produção, que tem o Morcego como um herói coadjuvante, as próximas duas horas e meia de filme mostrarão ao espectador a cruzada incessante de um promotor de justiça contra o crime, a queda deste cavaleiro nas mãos do Palhaço do Crime e a evolução de toda a polícia de Gotham na luta contra a vilania que domina a cidade.

O promotor, Harvey Dent (Aaron Eckhart), está vencendo a guerra contra o crime nos tribunais, e, embora seus atos chamem a atenção e ganhem o apoio do milionário Bruce Wayne (o alter-ego de Batman mais uma vez interpretado por Christian Bale), a máfia não quer que a cruzada de Dent tenha sucesso. É esta guerra de pessoas comuns que coloca o Coringa no centro das atenções.

Wayne continua fingindo que é um playboy sem preocupações durante o dia, andando com mulheres lindas, dormindo em reuniões de sua empresa, e inclusive levando toda uma companhia teatral para um passeio de barco por Hong Kong, mas segue caçando vilões à noite como o Batman. Neste filme, o herói está cansado de lutar de máscara pelos becos de Gotham. Seu maior anseio é passar o manto de protetor da cidade a Dent, mas o Coringa muda a equação. Colocado contra a parede pelo Coringa, o Morcego precisa entender a cabeça deste um psicopata e diferenciá-lo de um criminoso comum para ter sucesso em sua luta.

Enquanto a ação se desenvolve neste triângulo central, que a partir da segunda metade do filme ainda ganha um tempero, o vilão Duas-Caras (também Eckhart, após ter metade de seu rosto queimada), O Cavaleiro das Trevas tem o mérito de evoluir todo o universo de Batman. É fundamental a ação do tenente Jim Gordon (Gary Oldman), dos companheiros de Bruce Lucius Fox (Morgan Freeman) e o mordomo Alfred (Michael Caine), além de Rachel Dawes (Maggie Gyllenhall). A ação gira muito mais em torno da interação do trio central com os coadjuvantes do que entre a própria base formada por Batman/Dent/Coringa.

A caracterização do personagem de Heath Ledger mistura traços da personalidade do Coringa de duas histórias em quadrinhas consideradas essenciais para se entender o vilão: A Piada Mortal, de Alan Moore e Brian Bolland, e Asilo Arkham, de Grant Morrison e Dave McKean. Em ambas, o vilão é cruel, inteligente e calculista.

Suas falas são fruto de uma mente atormentada, perturbada por uma espécie de caos. O Coringa se torna a antítese de toda a bondade e a luta pela justiça que os cidadãos de Gotham anseiam para sua cidade. Sua vilania logo é deixada clara ao Morcego, enquanto postula o calvário eterno do Cavaleiro das Trevas: “Fomos feitos um para o outro. Vamos fazer isso para sempre”, diz ao Batman.

Assim como em Batman Begins, Christian Bale é um melhor Bruce Wayne do que Batman, embora desta vez o ator passe mais tempo vestido de Homem-Morcego. Se o amor que tem por Rachel move as ações do herói durante boa parte do filme, é quando ele finalmente se desprende da garota que Batman se torna um justiceiro que representa a cidade, e só então seu heroísmo aflora.

As motivações de Harvey Dent se tornam reais na pele de Aaron Eckhart. O advogado acredita na salvação por meio de atos legais e apreensões policiais, e não nega ajuda do vigilante mascarado. Dent, que se mostra dividido pela ordem e pela sorte desde o começo da produção, é a justiça personificada. Sua cruzada é pura e sem limites. Como Duas-Caras, Eckhart não deixou de mostrar a dualidade do vilão, a obsessão pela moeda que faz com que ele seja misericordioso ou então um assassino vingativo.

Batman: O Cavaleiro das Trevas dá aos fãs uma continuação à altura na história do Homem-Morcego. Ela não acontece por acaso e sim por uma série de eventos que vêm sendo apresentados desde a reformulação do herói no filme anterior. Batman: O Cavaleiro das Trevas estréia nas salas de cinema brasileiras em 18 de julho.

(retirado da revista rolling stone)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Hellsing *-*







Hellsing é uma série de mangás lançada em 1997 por Kouta Hirano.

O enredo passa-se na Inglaterra dos dias atuais, que ameaçada por criaturas sobrenaturais, é protegida pela Ordem Real dos Cavaleiros Protestantes, a Organização Hellsing.

Fundada e comandada pela familia Hellsing há mais de 100 anos, a organização secreta é especializada em combater seres das trevas.

Liderada por Sir Integra Fairbrook Wingates Hellsing, dentre seus subordinados estão o mordomo e ex-combatente Walter C. Donez, a novata Seras Victoria e o poderoso vampiro Alucard.

Nesse cenário, um conflito entre os protestantes da Hellsing e os católicos da Seção XIII do Vaticano, adiciona-se o renascimento de um velho inimigo, o grupo Millenium, responsável pela criação artificial de vampiros que propagam por todo Reino Unido. Millenium(fictício) foi um grupo, formado por vários oficiais da SS (Schutzstaffel), a elite das tropas nazistas. Destinava-se à pesquisa de vampiros, para que estes fossem usados em batalha pela Alemanha Nazista na 2ª Guerra Mundial.

Presos na Operação Satiagraha.

Daniel Dantas
O banqueiro Daniel Dantas foi preso na manhã desta terça-feira pela Polícia Federal - junto com o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta - acusado de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, sonegação fiscal e evasão de divisas. A assessoria da PF não tinha informações sobre quais são as acusações contra Pitta e Nahas.

Daniel Dantas, que é dono do grupo Opportunity, é preso pela Polícia Federal quase três meses depois de vender suas participações da Brasil Telecom e Telemar (Oi) por cerca de 1 bilhão de dólares, no que ficou caracterizado como um dos maiores negócios do mercado de telecomunicações brasileiro. O banqueiro conseguiu um acordo com os fundos de pensão, e conseguiu se livrar de todos os processos que existiam contra ele.

Dantas respondia a ação penal decorrente da Operação Chacal, deflagrada pela PF em setembro de 2004. Foi acusado de supostamente ter praticado os crimes de violação de sigilo de informação reservada e corrupção, ao contratar a empresa Kroll para ter acesso a dados de pessoas e empresas em órgão públicos, os quais são considerados reservados.

Naji Nahas
O megainvestidor Naji Robert Nahas, libanês naturalizado brasileiro que fez história no mercado acionário com jogadas de altíssimo risco, tornou-se nacionalmente conhecido depois de ter sido acusado como responsável pela quebra da Bolsa de valores do Rio de Janeiro, em 1989.

Segundo reportagens da época, Nahas tomava dinheiro emprestado de bancos e aplicava na Bolsa, fazendo negócios consigo mesmo por meio de laranjas e corretores, inflando as cotações.

Diante de grandes valorizações das ações, os bancos pararam de lhe emprestar dinheiro, causando quebra em cascata na Bolsa do Rio.

Após todos os processos referentes a este caso terem sido julgados, o empresário foi absolvido de todas as acusações.

Celso Pitta
Apadrinhado por Paulo Maluf, o economista e político Celso Roberto Pitta do Nascimento foi prefeito da cidade de São Paulo de 1997 a 2000. Seu mandato foi marcado por denúncias de corrupção, deflagradas principalmente por sua ex-mulher, Nicéa Pitta.

Em 2000, ao sair da prefeitura, Pitta era réu em treze ações civis públicas. O valor das denúncias somadas alcançou 3,8 bilhões de reais na época.

Em 2004, quando prestava depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito do Banestado, acabou preso por desacato à autoridade, ao discutir com o senador Antero Paes de Barros.

Já em 2006, o Ministério Público do Estado de São Paulo pediu, por meio de ação cível por má administração pública, a devolução de 11,8 milhões de reais aos cofres da prefeitura paulistana.

Neste ano, a Justica Federal considerou Pitta culpado pelo "escândalo dos precatórios", imputando-lhe uma pena de quatro anos de prisão.

(retirado da uol.com.br)