sábado, 11 de abril de 2009
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Eu, repórter - L.F. Verissimo
(retirado da Zero Hora de hoje)
Reminiscências, reminiscências... Trabalho em jornal há mais de 40 anos, mas uma única vez saí da Redação para fazer uma reportagem. Dizem que só o repórter é jornalista mesmo, no sentido em que só quem está na linha de frente é soldado mesmo – o resto é burocracia fardada. Pois fui repórter por um dia, em 1968.
O sul-africano Christian Barnard, que meses antes fizera o primeiro transplante de coração da História, viria participar de um congresso em Buenos Aires. Eu fazia de tudo na Redação de Zero Hora. Até, como já contei mais de uma vez, o horóscopo. Quando faltavam artigos para a página de opinião, eu os fazia, usando pseudônimos. Certa vez, dois dos meus pseudônimos polemizaram violentamente, pois tinham opiniões radicalmente opostas sobre determinado assunto. Eu também fazia um guia de bares e restaurantes da cidade e vez que outra inventava personalidades que os frequentavam (o conde italiano Ettore Fanfani, o empresário e bom vivant Aldo Gabarito) e davam seus palpites. Quer dizer, nada menos sério e mais longe da reportagem do que minha enclausurada atividade jornalística na época.
Mas eu falava inglês, e fui o escolhido para entrevistar o Barnard. Me botaram num avião para Buenos Aires. Junto com um cinegrafista, o Leca, porque a matéria que eu conseguisse também seria para a TV.
***
O doutor Barnard se tornara uma celebridade mundial com seu feito. Havia uma multidão querendo entrevistá-lo em Buenos Aires. Ele atenderia a imprensa de uma vez só, numa coletiva, e depois responderia a perguntas individuais – mas só uma pergunta por repórter. Entrei na fila. O Leca ficaria perto do doutor e ligaria a câmera quando eu chegasse lá. Fiquei pensando no que perguntar ao Barnard. O argentino atrás de mim me cutucava com seu microfone à altura dos rins. Ouvi uma altercação vindo do começo da fila.
Um repórter desobedecera às ordens, tentara fazer uma segunda pergunta ao cirurgião e ouvia protestos dos colegas. Eu não conseguia pensar na pergunta que faria ao Barnard. Tinha que ser uma única pergunta. Uma pergunta definitiva.
– O que o senhor está achando de Buenos Aires?
Não! Algo mais científico. Como está passando o paciente que recebeu o coração transplantado? Não! O paciente poderia já ter morrido, a pergunta seria vista como provocação. Falar do apartheid na África do Sul? Não, nada a ver.
Perguntar o quê?
Eu chegava cada vez mais perto do começo da fila. O Leca me fazia sinal de positivo, estava a postos. A ansiedade do argentino atrás de mim aumentava e as cutucadas também. Perguntar o quê?
Finalmente cheguei na frente do Dr. Barnard e...
Sabe que eu não me lembro o que perguntei? Tenho a vaga lembrança de alguma coisa como “O senhor espera operar num brasileiro, um dia?”, mas prefiro estar enganado. Minha única vontade era estar de volta na Redação de Zero Hora, inventando frases para o conde Fanfani ou o Aldo Gabarito, em vez de para mim.
Desde então, só aumentou a minha admiração por repórteres.
OS do blogueiro: você acreditava em horóscopo??? [xD]
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Ulbra: funcionários, professores e alunos fazem protesto em Canoas

Dezenas de funcionários, professores e alunos da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) protestavam na manhã desta quarta-feira em Canoas, repudiando os atrasos salariais. Eles interromperam a circulação em partes do campus e ameaçaram fechar a BR-116. Alguns manifestantes pediam a saída da atual reitoria da universidade. Alunos apoiavam a manifestação dos educadores, que ontem decidiram entrar em greve. Também há funcionários que paralisaram atividades na segunda-feira.
De acordo com a assessoria de imprensa da Ulbra, a paralisação de funcionários e docentes não é total, e algumas aulas estão sendo dadas normalmente. A previsão da reitoria, segundo a assessoria, é de pagar 40% dos valores atrasados amanhã e o restante na segunda-feira. Os salários dos professores estão atrasados desde março, enquanto que os funcionários ainda não receberam o 13º e parte dos proventos de janeiro, informou a assessoria.
Integrante do Centro Acadêmico de Medicina da universidade, o aluno Cleber Santos Júnior, 24 anos, disse que o objetivo do ato é que a reitoria receba os manifestantes. Júnior afirmou que a situação deixa os estudantes preocupados com seu futuro.
— Receamos que nossa formação possa ser prejudicada.
terça-feira, 7 de abril de 2009
Opinião de Heman sobre a crise financeira
OS: Bem bolado, bem bolado! [xD]
MEC discute fim do vestibular com reitores
O Ministério da Educação propõe o fim do vestibular, com a criação de uma prova unificada do Enem, o Exame Nacional do Ensino Médio. O acesso dos estudantes à universidade seria feito de acordo com a nota obtida nessa prova
Da série "sapatos voadores" ...
Um jornalista indiano jogou um de seus sapatos contra o ministro do Interior, P. Chidambaram, nesta terça, durante uma entrevista em que ele explicava a política de segurança do governo. Jarnail Singh, que trabalha no diário local Dainik Jagran, lançou uma de seus sapatos contra o ministro quando ele respondia a uma das perguntas dos jornalistas, em um ato transmitido ao vivo pelo canal NDTV.
"Por favor, tirem-no com cuidado", pediu depois Chidambaram, segundo as agências de notícias indianas.
A agressão aconteceu depois que Singh perguntasse ao ministro sobre o relatório do Escritório Central de Investigação (CBI) que pede à Justiça a retirada das acusações contra o membro do governante Partido do Congresso Jagdish Tytler.
O político está sendo investigado por envolvimento na onda de violência antisique - na qual morreram milhares de pessoas - gerada em Nova Délhi em 1984 após o assassinato da então primeira-ministra Indira Gandhi.
"Queria protestar. Minha intenção não era ferir os sentimentos de ninguém. Por que deveria pedir perdão?", disse o jornalista, que faz parte da comunidade sique, ao canal local NDTV, depois do incidente.
"Meu método pode ter sido incorreto, mas minhas razões não são", acrescentou.
O incidente lembra o lançamento de dois sapatos por parte de um jornalista iraquiano contra o ex-presidente americano George W.Bush, em uma coletiva de imprensa em Bagdá em dezembro passado.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Lado a lado - L.F. Verissimo
Encosto ou não encosto? Só o joelho. O que pode acontecer? Ela dizer “Mr. Lula, please!” Aí eu recolho o joelho, peço desculpas, “aimsórri, aimsórri” e pronto. Se eu soubesse falar inglês, explicaria. Sabe o que é, Elizabeth? Eu estava aqui pensando: quando é que, lá em Pernambuco, eu ia imaginar que um dia estaria sentado ao lado da rainha da Inglaterra? Não sei quem é que me botou aqui para tirar esta fotografia dos G-20. Não acho que tenha sido um pedido seu, “Quero o bonitinho de barba à minha esquerda”. Claro que não. Mas o fato é que estou aqui e o Barack está aí atrás em algum lugar, de pé e se perguntando o que eu tenho que ele não tem. O Sarkozy não deve nem estar aparecendo. Ficou atrás da Merkel e não vai sair na foto. E eu aqui ao seu lado, na primeira fila. Isto significa muito, viu Elizabeth?
Lá na minha terra vai ter gente se mordendo de raiva. Onde já se viu, aquele retirante nordestino que nem fala direito sentado à esquerda da Rainha da Inglaterra? Quando eu me elegi muita gente ficou horrorizada: como é que vai ser quando ele, um torneiro mecânico, tiver que nos representar num jantar oferecido, por exemplo, pela coroa inglesa? Vai ser servido na cozinha, para não dar vexame na escolha dos talheres. E aqui estou eu, sentado ao lado - com todo o respeito - da coroa inglesa em pessoa.
Se foi o protocolo que me botou aqui, ele acertou, viu Beth? Você, queira ou não, não é só a rainha dos ingleses, é, simbolicamente, a rainha de todos os loiros de olhos azuis do mundo, incluindo o Barack. De todos os bandidos que causaram esta crise e hoje nos infernizam a vida. E, de certo modo, eu sou o seu oposto. Sou uma espécie de rei republicano dos não loiros do mundo - ou pelo menos deve ter sido essa a ideia do protocolo aos nos botar lado a lado. Todos os outros chefes de estado desta fotografia seriam dispensáveis. A foto poderia ser só de nós dois e estariam todos representados.
E isto significa outra coisa também, viu, Beth? Eu não me contentei em ter nascido na miséria, no Nordeste, e quis mais. Não me contentei em ser um torneiro mecânico em São Paulo e quis mais. Não me contentei em ser um líder sindical e quis mais. Não me contentei em perder eleição atrás de eleição, insisti e acabei presidente.
Agora estou aqui, lado a lado com a Rainha da Inglaterra, num dos pontos mais altos da minha carreira, e também quero mais. Por isso, minha perna se moveu e meu joelho encostou no seu. De certa forma, o movimento da minha perna foi o passo final da caminhada que começou em Pernambuco, tantos anos atrás. Já que, ao contrário de você, Beth, não posso ficar no poder para sempre.