quarta-feira, 17 de junho de 2009

Nintendo Wii pode auxiliar no tratamento ao mal de Parkinson

da Geek

Já são inúmeros os alegados benefícios relacionados ao uso do console Nintendo Wii, tanto em relação ao divertimento quanto à melhoria da saúde. Um estudo recente, noticiado pelo site ScienceDaily, revela que o Wii também pode ajudar no tratamento de uma doença que preocupa a todos, o mal de Parkinson.

Não é necessário possuir nenhum dos títulos mais novos e mais complexos para que se vejam resultados. Após quatro semanas de estudos os pesquisadores do Medical College of Georgia (MCG) descobriram que partidas de tênis, boliche e boxe do título Wii Sports melhoravam a rigidez, movimento e habilidades motoras, além de aumentar os níveis de energia e diminuir a ocorrência de depressão em 20 pacientes acometidos do mal de Parkinson, explicou o professor Ben Hertz, diretor de terapia Ocupacional da School of Allied Health Sciences Department em nota publicada no site Examiner.

Apresentada na quinta conferência anual Games for Health, a terapia já ganha notoriedade e tem até um nome, Wii-hab. Ela funciona porque, na mistura de vídeo game e exercícios, aumente os níveis de dopamina, neurotransmissor que estimula a atividade do sistema nervoso central e é escasso em pacientes com o mal de Parkinson.

"Aproximadamente no meio do estudo, vimos que realmente tínhamos um número razoável de pessoas que poderiam derrotar seu adversário na primeira rodada, e isso nos espantou", declarou Hertz.

A Nintendo está ciente dos fins benéficos de seus produtos, e aproveita para aumentar seu faturamento com o Wii Fit e o controle balance board, e também o novo pedômetro incluído no modelo Pokémon de seu portátil DS, entre outros. O próximo passo de Hertz e dos outros pesquisadores é testar os benefícios do Wii Fit contra o mal de Parkinson, e para isso esperam receber um investimento de US$45 mil da Fundação Nacional de Parkinson.

"Sistemas de jogos são o futuro da reabilitação", disse Hertz. "Aproximadamente 60% dos participantes dos estudos decidiram comprar um Wii para si. Isso diz muito a respeito da forma como eles se sentiram com o console", completa.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O raiar da nossa obsolescência - L.F. Verissimo

da Zero Hora

Já contei que fui cobrir minha primeira Copa do Mundo em 1986, no México. Aquela em que a França nos eliminou nos pênaltis. Fui como correspondente da revista Playboy, o que me valeu dois problemas: 1) explicar para quem olhava o meu crachá o que, exatamente, um correspondente da Playboy fazia numa Copa do Mundo, onde sexo e mulheres nuas sem dúvida faziam parte, mas não eram o assunto principal, e 2) como escrever para uma revista mensal sobre um evento que ia se redefinindo quase que dia a dia, obrigado a ter a matéria pronta antes de saber como o evento acabava. Não consegui convencer ninguém de que a Playboy não é só sexo e mulheres e que eu estava lá para ver futebol com todo o respeito, e tive que fazer uma ginástica estilística para que a matéria da revista tivesse ao menos algum mérito literário, já que não teria nenhum como reportagem. Isso depois de resistir à tentação, que seria desastrosa, de adivinhar o resultado – uma final, claro, com a presença do Brasil – e reportá-lo como acontecido.

No fim, a matéria falava mais sobre o México do que sobre futebol, mais sobre astecas e melecas e os murais do Orozco em Guadalajara do que sobre Zico, Platini e Maradona. Ou sobre sexo e mulheres nuas.

Lembro como tínhamos inveja dos jornalistas europeus e americanos, que já então usavam laptops, ou coisa parecida, enquanto nós estávamos condenados a perfurar fitas de telex e esperar vagas em barulhentos aparelhos medievais para transmiti-las. Eu também, pois além da matéria única para a Playboy fazia colunas diárias para jornais no Brasil. Enquanto nosso futebol era derrotado em campo, nossa imprensa era humilhada pela tecnologia adversária. Em técnica jornalística, os cinturas-duras éramos nós.

Na Copa seguinte, no entanto, em Roma, já estávamos empatando. E na última Copa ninguém nos humilhou – pelo menos fora de campo. O vexame na Alemanha teve cobertura tecnicamente perfeita da imprensa brasileira, igual à de qualquer superdesenvolvido. Entramos na zona VIP do silêncio, e hoje só ouvimos o martelar dos aparelhos de telex em pesadelos. Não tenho a menor ideia de como funciona o uai-fai, nem a menor ideia de como consegui viver por tanto tempo sem ele.

Mas mal sabíamos nós que, ao ver aqueles primeiros computadores portáteis no México, estávamos vendo o raiar da nossa obsolescência. O que era para ser instrumento do jornalismo impresso está substituindo o jornalismo impresso. As maiores empresas jornalísticas do mundo sentem a competição da internet e de outros derivados daquelas máquinas primitivas e contemplam um futuro sem papel, ou a morte.

A notícia do futuro irá da máquina para a máquina, sem necessidade do jornal como nós o conhecemos, e amamos. Talvez já na Copa de 14