sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O furacão Mendes sai de cena

(retirado da Zero Hora do dia de hoje)

Com saída prevista há pelo menos dois meses, o coronel Paulo Roberto Mendes, 52 anos, deixou ontem o comando-geral da Brigada Militar para assumir uma cadeira de juiz no Tribunal de Justiça Militar do Estado (TJM), encerrando um ciclo na segurança pública que ficará marcado pelo seu estilo pessoal.

Dono de um estilo diferente de todos os últimos comandantes da história recente da BM, Mendes mudou a estratégia de combate ao crime ao trocar traje social e sapatos lustrados por coturnos e farda operacional e andar nas ruas ao lado de soldados.

Desde que foi guindado ao subcomando, em janeiro de 2007, Mendes fez das barreiras a principal arma de repressão da BM. E onde tinha uma blitz, fosse dia, noite ou madrugada, lá estava o coronel, repetindo o seu bordão preferido: “O crime anda sobre rodas”.

Em outra frente, comprou uma briga indigesta com movimentos sociais. Avesso a negociações, tornou-se inimigo número 1 de sem-terra e sindicalistas, ao dissolver manifestações que terminaram em confrontos.

– Prendemos mais de 130 mil pessoas este ano, apreendemos 8 mil armas, o Presídio Central bate recorde de detentos. Também acabei com a pirataria, a baderna e a indústria da invasão no Estado – enfatizou Mendes ao se despedir.

Por conta de sua exposição pública, provocou desconforto em seus dois ex-superiores (coronéis Edson Ferreira Alves e Nilson Bueno), criando no imaginário popular a idéia de que Mendes era o comandante-geral, cargo que assumiu, de fato, em junho.

Ontem, depois de 169 dias à frente da BM, Mendes, chegou ao quartel-general, como de hábito, às 7h30min. Mas, diferentemente de todos os últimos 23 meses em que fez parte da cúpula da corporação, encerrou o expediente ainda pela manhã, sem percorrer ruas e ou assinar documentos.

–Não sou mais comandante. Rei morto, rei posto – brincou com jornalistas que o esperavam do lado de fora de seu gabinete.

Mendes recolheu papéis das gavetas, tirou um quadro de medalhas da parede e três jogos de fardas do closet. Colocou tudo em uma caixa de papelão e mandou um assistente levar para o carro.

O coronel não escondeu o abatimento pelo vazamento da informação de que, em abril, tinha pedido ajuda para ser nomeado comandante-geral a Francisco Fraga, secretário-geral de Governo de Canoas, um dos investigados da Polícia Federal (PF) por desvio de verbas públicas na Grande Porto Alegre. Fraga tinha os telefones monitorados pela PF, e conversas dele com Mendes foram grampeadas.

– Não tenho na memória esse diálogo, Mas foram centenas, milhares de ligações telefônicas para muita gente. Trabalhei cinco anos em Canoas. A prefeitura ajudou muito a BM, reformando prédios, salas. Sempre tive vários contatos profissionais, com o prefeito Ronchetti (Marcos Ronchetti), com o Chico e com outros secretários. Quando saí de lá, continuei esse relacionamento profissional. Converso até com os bandidos na rua. Por que não posso conversar com uma pessoa que só tem uma denúncia? Aliás, ele segue como secretário do município, o prefeito não o exonerou – lamentou o coronel.

Mendes disse ter saído feliz do comando-geral, afirmou não ver ilegalidade na conversa e tampouco que possa lhe prejudicar a carreira no TJM.

– Houve alguma irregularidade? Qual? Vão me prender? – questionou.

À tarde, o coronel foi ao TJM, onde recebeu cumprimentos dos funcionários. Lá terá status de desembargador e salário dobrado, cerca de R$ 20 mil mensais.

enquanto isso, no parque São Jorge..


deêm boas vindas ao fenômeno...

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Voltei a Cantar

(RETIRADO do blog portrasdaletra.blogspot.com)

(Lamartine Babo)


Voltei a cantar
porque senti saudade
do tempo em que eu andava pela cidade
Com sustenidos e bemóis
Desenhados na minha voz
E a saudade rola, rola
Como um disco de vitrola
Começo a recordar
Cantando em tom maior
E acabo no tom menor

Voltei a cantar
porque senti saudade
do tempo em que eu andava na cidade
Com sustenidos e bemois
Desenhados na minha voz
Ó meu samba, velho amigo
Novamente estou contigo
Uma vida me transtorna
Como um filho à casa torna
De ti nunca me esqueci



Este samba de Lamartine Babo, que ganhou notoriedade na voz de Mário Reis, foi o escolhido por Chico Buarque para abrir seu show “Carioca”, depois de sete anos de recesso. No show “Paratodos”, o cantor já havia composto “De volta ao Samba” com o mesmo fim: desculpar-se com seus fãs por tão longa ausência.
Desta vez, talvez por reconhecer a genealogia de seu canto, Chico Buarque tenha optado por retornar aos palcos homenageando Mário Reis e tomando emprestados os versos de Lamartine, carioca como ele e o nome de seu show.
Mário Reis era dono de voz fina como a de Chico, descobridor de divisões inusitadas, mestre no uso do microfone e destoava dos cantores de vozeirão, predominantes nos anos 30 e 40. Foi um dos principais intérpretes da obra de Noel Rosa e - o que muitos não sabem - chegou a gravar, já em fim de carreira, "A Banda", de Chico Buarque.
Além disso, Mário Reis era um bon vivant. Morou muitos anos no Copacabana Palace e privava da companhia dos mais ricos aristocratas cariocas. Talvez por isso, às vezes, sua carreira era negligenciada e Mário anunciava que iria encerrá-la. Depois mudava de idéia, retomando-a e redobrando o sucesso. Obviamente, foi numa dessa ocasiões, em 1939, que Lamartine Babo compôs “Voltei a Cantar” a pedido do amigo, para que este abrisse seu show de retorno “Jujoux e Balangandans”, no Theatro Municipal.

O fim da cisão - LF Verrissimo

(retirado da Zero Hora, dia 11/12/08)

Por uma questão de viagens e prazos que não vêm ao caso, estou escrevendo antes de saber quem é o campeão brasileiro de 2008. Seja qual for o vencedor, ele não servirá a nenhuma tese como as que dividiam o mundo do futebol até bem pouco tempo entre ofensivistas e defensivistas, e se pareciam em bizantinice com a antiga polêmica sobre a natureza dos anjos que dividia o cristianismo. Não se encontrava um técnico de futebol disposto a confessar que era, sim, retranqueiro, mas também não se sabia de nenhum técnico de futebol que cumprisse no campo uma declarada fé em jogar só pra frente. Todos falavam um jogo e jogavam outro.

Hoje se fala e se joga o mesmo jogo e ninguém discute a necessidade de no mínimo quatro no meio-campo, cinco para garantir. Antes havia uma divisão entre torcedores apaixonados e analistas que “enxergavam” o jogo com suposta isenção científica e neste caso o paralelo que cabia não era o cristianismo mas a religião muçulmana, que tem uma doutrina esotérica, chamada “batin”, acessível apenas a uma minoria iluminada, e ensinamentos comuns acessíveis a todos os fiéis, chamados “zahir”. No futebol, o “zahir” recomendava o evidente: com cinco centroavantes nenhum time precisa de meio-campo. Já a sabedoria do “batin” só fazia uma concessão: dois em vez de um na frente, desde que um volte para marcar. Hoje “zahir” e “batin” vêem quase o mesmo jogo sem discutir.

Como bem sabe o Francis Fukuyama, que anunciou o fim definitivo da História com a vitória do liberalismo sobre o dirigismo econômico justamente quando a História estava preparando a sua rentrée, declarações deste tipo são temerárias, mas pode-se dizer que a velha cisão acabou e a doutrina agora é uma só. Ainda se usam eufemismos como “cuidados defensivos” para justificar um meio-campo superpovoado, mas a verdade é que o campeão brasileiro deste ano não jogou muito diferente do segundo colocado – ou do último.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Para manter a sanidade - LF Verissimo

(retirado da Zero Hora, dia 08 de dezembro de 2008)

Há uma maneira de você escapar do noticiário catastrófico do dia. Não por alienação ou insensibilidade, mas para manter a sanidade. Faça o seguinte: procure, no jornal ou na internet, a notícia mais inconseqüente, ridícula, ou bizarra que puder encontrar e concentre-se nela. Tem que ser algo que desminta a gravidade geral do momento e mostre que, por pior que esteja a situação, ainda poderemos ser salvos pela bobagem.

Há dias li, já não me lembro onde, que um carregamento de seios postiços a caminho da Austrália tinha desaparecido. Não posso descrever minha alegria ao ler a notícia. Abandonei, imediatamente, toda preocupação com desastres naturais e econômicos e me entreguei a especulações sobre o fato insólito, ou, no caso, fofo. A notícia não trazia muitos detalhes. Aparentemente, tinham perdido contato com um navio carregado com 120 mil seios postiços – ou 60 mil pares, não sei. A localização do navio quando desaparecera não era revelada. Se fosse no Oceano Índico – especulei alegremente – a explicação podia ser um ataque de piratas da Somália, que teriam ocupado o navio, aberto os seus porões, mergulhado de ponta-cabeça na carga, gritando “Alá seja louvado!” e no momento discutiam o valor do seio postiço no mercado para cobrar o resgate.

O navio poderia ter naufragado, o que imediatamente sugeria a imagem de 120 mil seios boiando no oceano. Piloto de avião de busca para base: “Acho que localizei destroços do naufrágio, boiando sugestivamente na superfície. Câmbio”. Náufrago abandonado na proverbial ilha deserta vê seios e mais seios chegarem na praia, olha para o céu, abre os braços e grita “Que parte do meu pedido você não entendeu, Senhor?!” .

Mas o maior mistério de todos era: o que 120 mil seios postiços iam fazer na Austrália? Neste ponto deixei de me divertir com a notícia. Tive uma visão pungente de 60 mil travestis australianos esperando, inutilmente, no porto.

***

Ainda não se sabe se há água, e portanto vida, em Marte. Uma das luas de Saturno parece ter um ambiente propício para a vida orgânica, mas também não é certo. Talvez estejamos mesmo sós neste canto do Universo. É pouco provável que não exista vida em algum lugar das trilhões de galáxias além da nossa, mas estas não nos interessam. Esperamos, isto sim, que haja organismos que cresçam, se desenvolvam, formem civilizações e comecem a jogar futebol em planetas teoricamente acessíveis, para que se possa pensar num campeonato do sistema solar. Senão o Internacional não vai ter mais nada para ganhar!



Os australianos do AC/DC estrearam em Nova York a turnê mundial do seu novo disco, BLACK ICE.



Pra quem ainda tinha alguma dúvida, SIM, o ANGUS YOUNG segue usando seu tradicional uniforme de colegial inglês. SIM, eles tocam as novas, mas também todos os hits. E SIM, o show é uma mega-produção com muitos efeitos especiais, vários telões e até uma boneca inflável gigante.


A turnê inclui mais de 60 datas, mas nenhuma no Brasil. Ao menos, por enquanto.