sexta-feira, 10 de julho de 2009

Realpolitiques - Luis Fernando Verissimo

Consolemos-nos. O parlamento inglês – que, afinal, é o pai de todos os parlamentos – também anda às voltas com escândalos. E escândalos parecidos com os do nosso Congresso: despesas escondidas, favorecimentos descabidos e outras lambuzeiras com o dinheiro público. Levando-se em conta a tradição de austeridade da política inglesa, com a exceção de um ou outro deslize sexual, pode-se até dizer que os escândalos do parlamento inglês são piores do que os nossos. Pelo menos temos a desculpa de não sermos ingleses.

Lula não usa a palavra, mas invoca a “realpolitik” para constranger o PT a apoiar o Sarney, que se tornou, com um certo exagero, símbolo de todos os maus hábitos do nosso Congresso. “Realpolitik” é uma expressão alemã do século 19 com vários significados, de realismo político e pragmatismo até maquiavelismo do mais cínico. No caso do Lula, que só se preocupa em manter alianças que garantam o funcionamento deste governo e a eleição do próximo, ela significa uma espécie de maquiavelismo de arrabalde. Nada muito grave, se bem que nada muito inspirador também. De qualquer jeito, foi doloroso ver o Mercadante anunciando a concordância do PT com as ordens do chefe sem acreditar numa palavra do que estava dizendo.

Estou escrevendo isto no começo da semana, é possível que o próprio Sarney já tenha se constrangido o suficiente para renunciar ao cargo. Se está sendo injustiçado ou vítima de um golpe in camera, fica para se ver depois. O que ele deve fazer agora é poupar o que resta da sua biografia.

Primitivos

Em Honduras, houve um golpe militar à antiga, que deve ter feito bater mais forte o coração de alguns nostálgicos. Lá também se invoca uma forma de “realpolitik” como justificativa, no caso a necessidade de prevenir um novo Hugo Chávez em formação. “Honduras” quer dizer “funduras”. Foram buscar lá no fundo da história latino-americana o modelo mais primitivo para troca de governos. O golpe hondurenho é uma versão grosseira de uma história conhecida, a da reação do conservadorismo a qualquer ameaça ao seu poder, e cujo protótipo é a reação da oligarquia mexicana à eleição do índio zapoteca Benito Juárez à presidência em 1858. A elite mexicana exagerou: para substituir o índio, foi buscar um príncipe, o arquiduque Maximiliano, da Áustria, financiado por Napoleão III. Desde então, nunca se chegou mais a tanto, mas a reação se repete através dos anos onde quer que um “índio” chegue ao poder. Sem imperadores importados, ultimamente sem militares golpistas, ainda é a mesma velha história.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

UFRGS define proposta para o Enem

da Zero Hora

Se aprovada em reunião prevista para o dia 22 deste mês, a proposta da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para o uso do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) vai garantir liberdade ao estudante de prestar ou não o novo exame. Aqueles que optarem pela prova, e tiverem bom desempenho, aumentarão a média, mas os demais não serão prejudicados.

Para incluir o exame no seu vestibular, a UFRGS vai primeiro calcular a média alcançada no Enem entre os candidatos que, no momento da inscrição na universidade, decidiram utilizar o exame. Definido o desempenho médio, todos os que ficarem acima dele contarão com a ajuda do Enem, como mais uma prova. Os demais não serão prejudicados, pois o cálculo da média harmônica continuará sobre as nove provas. A proposta já foi aprovada na Câmara de Graduação e está no plenário do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe).

– Ao prestar o exame e decidir utilizar a nota na UFRGS, o estudante poderá ter a certeza de que só terá benefício. Se a nota ficar abaixo da média, ela não será computada – explica o reitor Carlos Alexandre Netto.

Conforme o reitor, o impacto do Enem na universidade será de acordo com a nota do aluno e do curso pretendido. Ele destaca que a nota poderá decidir a classificação, sobretudo entre os últimos colocados. Por isso, incentiva:

– Se eu fosse candidato, faria o Enem.

Construída desde maio na universidade, com a participação de representantes dos setores envolvidos no concurso, a proposta de adesão ao Enem da UFRGS é inédita. Ela passou também por um seminário aberto, em junho, que envolveu toda a comunidade acadêmica. Conforme a reitoria, a adesão segue a lógica do vestibular da instituição, um dos melhores do país.

– A proposta mantém a essência do vestibular da universidade e contribui para a melhoria do Ensino Médio, que é a proposta do Enem – avalia o reitor.

terça-feira, 7 de julho de 2009

As 10 melhores extensões para o Firefox [O.O]

1. Gmail Notifier: chega de ficar pendurado no Gmail. Este acessório avisa, automaticamente, se chegaram novas mensagens - acende uma luzinha no painel do Firefox (e basta clicar nesse ícone pra entrar no seu Gmail).

2. TwitterFox: para acompanhar os updates dos seus amigos e postar no twitter, inclusive usando mais de uma conta. Simplesinho, mas funciona.

3. Xmarks: superútil pra quem usa mais de um computador (em casa e no trabalho, por exemplo), pois sincroniza automaticamente a sua lista de sites favoritos - você fica com todos os os bookmarks sempre à mão, em qualquer computador.

4. Remove It Permanently: alguma coisa te irrita nos seus sites preferidos? Um banner chato? Aquela propaganda fora de lugar? Livre-se do estorvo para sempre: é só clicar com o botão direito do mouse e selecionar "remove".

5. SkipScreen: dribla a fila de espera dos sites que impõem limites de download, como o RapidShare (quando não consegue furar a fila, ele espera no seu lugar - e começa o download assim que liberado).

6. Personal Menu: esconde a barra de menus do Firefox, economizando espaço na tela (quando/se você quiser acessá-la, é só apertar a tecla Alt).

7. NoScript: bloqueia a execução de scripts, ou seja, pedacinhos de código que podem fazer mal ao seu computador - só os sites que vc autorizar poderão rodar scripts. Torna o Firefox extremamente seguro (o browser mais seguro que existe).

8. FoxyTunes: navegar ouvindo música é o que há. Este acessório coloca uma barrinha que permite controlar o iTunes (ou o Media Player) direto no painel do Firefox.

9. DownThemAll!: baixa, com apenas um clique, todas as fotos da página que vc está acessando (aliás, por falar em fotos, confira tb o AutoSlideshow e o Cooliris).

10. iMacros: você sempre acessa os mesmos sites quando liga o computador? Eu sim. Mas com este acessório, fica muito mais fácil: vc pode programar o Firefox para que ele faça o trabalho sozinho - ele carrega todas as páginas, cada uma em sua abinha, com apenas um clique.

Bônus: Foxit Reader. Sabe quando você abre um arquivo PDF, e o navegador dá aquela travada? Acontece com todos os navegadores (é culpa do plug-in Adobe Reader). Instale o Foxit, e sua vida vai mudar - é o fim das engasgadas com PDF.

Bom, é isso. Experimentem, divirtam-se - e recomendem aos amigos que tb usam Firefox. Alguma extensão legal ficou de fora da lista? Problemas? Sugestões? Dúvidas? Deixem seus comentários aí embaixo. Abs!

Será tudo verdade?

Infelizmente não se pode ser peremptório (perdoe-me Tarso Genro) em relação à veracidade de tudo que está listado por Lair Ferst no depoimento entregue ao Ministério Público Federal. Parte desta dúvida será sanada quanto os procuradores falarem, o que desde fevereiro é aguardado para ontem. Quem é da oposição dará crédito a Lair. Quem está com a governadora Yeda Crusius nega as acusações.

Parte do que foi revelado hoje em Zero Hora já havia se tornado público depois da manifestação do PSOL em fevereiro. De lá para cá, a governadora contratou advogado. Imagina-se que fosse para processar Luciana Genro, Pedro Ruas e a Revista Veja. Agora sabe-se que é mais que isto.

Mais uma vez fica o apelo da sociedade gaúcha para que a manifestação do Ministério Público Federal seja urgente. Do jeito que está é difícil governar. Que segurança podem ter os secretários para trabalhar em meio a uma enxurrada de denúncias? Como podem ser celebrados os anunciados avanços se há uma marca no passado que não se apaga?

A íntegra das acusações de Lair.

Leia aqui as acusações entregues por Lair Ferst a Polícia Federal nesta segunda-feira.

Será que pode-se acreditar em todas as acusações??? Só "o tempo" dirá...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Apple admite superaquecimento no iPhone 3G S

As diversas reclamações sobre o possível superaquecimento do iPhone 3GS finalmente tiveram uma resposta da Apple. A empresa publicou um artigo em sua página de suporte alertando os usuários sobre os limites de temperatura do aparelho em operação normal, que deve ser de 0ºC a 35ºC, e de armazenamento, entre -20ºC e 45ºC.

A Apple alerta que, em temperaturas fora deste intervalo, é possível que o telefone não funcione corretamente e a bateria dure menos que o previsto.

A temperatura interna de um carro estacionado sob o sol, por exemplo, facilmente excede estes limites e deixar o telefone no porta-luvas pode danificar o aparelho. De fato, 35ºC parece ser um limite muito baixo, considerando que a temperatura do corpo humano é de 37ºC e que muita gente leva os celulares em bolsos colados ao corpo.

Mas o que pode deixar os usuários insatisfeitos é saber que utilizar o GPS por muito tempo sob o sol forte também pode levar ao superaquecimento do iPhone. Ou seja, moradores de cidades de clima quente podem experimentar um comportamento anormal em seus dispositivos, caso utilizem o GPS por longos períodos de tempo.

O artigo também descreve o comportamento do iPhone para tentar resfriar-se: o aparelho para de carregar a bateria, a tela fica esmaecida e o sinal de celular tende a ficar fraco. O telefone também tem um mecanismo de segurança que avisa o usuário quando o aparelho está muito quente: uma tela de alerta aparece, dizendo que o iPhone precisa esfriar antes que se possa utilizá-lo.

O site Xbit Labs pondera que, na verdade, tanto o iPhone quanto os iPods sempre tiveram, desde a primeira geração, limitações térmicas bastante acentuadas (e alfineta a Apple comentando que isso não acontece com nenhum outro aparelho). É incerto, portanto, o motivo pelo qual a empresa resolveu se manifestar só agora, e apenas depois do lançamento do 3GS. Segundo o site, "onde há fumaça há fogo e, talvez, os iPhones 3G e 3GS sejam mais vulneráveis a esse superaquecimento que seus antecessores".

Apesar do aviso da Apple, a revista Wired alerta para a possibilidade do superaquecimento ser causado por baterias com problema. O site entrevistou o especialista Aaron Vronko, da Rapid Repair, que disse esperar que a Apple faça um "recall" de diversas unidades do novo iPhone 3GS em breve, para trocar estas peças possivelmente danificadas.

Onde parar - L.F. Verissimo

da Zero Hora

Ainda sobre a cara do Michael Jackson: fiquei pensando em como um dos grandes problemas da humanidade é não saber onde parar. É um defeito que nos aflige de várias maneiras, desde não saber parar antes que um hábito se torne um vício até não saber parar de especular sobre a natureza do Universo antes de sucumbir à loucura. O Michael Jackson não soube onde parar de refazer a própria cara. Você e eu conhecemos muita gente que não soube parar de retocar a sua e também já ultrapassou a fronteira do grotesco irreversível. Faltou alguém para lhes dizer: “Pare! Assim está bom. Nem um puxado a mais”.

A atual crise financeira mundial se deveu à incapacidade dos grandes financistas de Wall Street em reconhecer quando o lucro excessivo se tornava lucro obsceno. Ou seja, em saber onde parar. A questão da corrupção e da desigualdade extrema se resolveria se houvesse um dispositivo interior que alertasse quando o dinheiro roubado ou acumulado se tornasse demais, algo que avisasse “agora chega, nem um centavo a mais”. Porque, como se sabe, não são os milhões que corrompem e arruínam – é o centavo a mais. Aquele um centavo além do razoável, a perdição dos que não sabem onde parar.

Grandes artistas são os que sabem instintivamente onde parar. Pode-se imaginar um Velázquez decidindo que uma das suas pinturas estava pronta. Que uma pincelada a mais – como o centavo a mais do corrupto e do rico gananciosos – faria tudo desandar. Ou um poeta depois do último retoque, da última microcirurgia estética no seu poema, lançando-o, certo de que não falta ou sobra uma palavra. É verdade que o instinto nem sempre ajuda. O Jorge Luis Borges dizia que o escritor publica seus livros para livrar-se deles, para não ficar reescrevendo-os ao infinito. Mas Borges, que nunca fez um texto muito longo, foi um grande exemplo de quem sempre soube onde parar.

Nas especulações sobre as primeiras coisas do Universo, saber parar também pareceria importante. Parar em Deus, criador do céu e da terra, e ficar por aí para prevenir maiores angústias, seria uma forma de sabedoria. Mas outros não se contentam com uma explicação teológica que relega o resto a um mistério que não nos diz respeito, e dizem que isto seria como decidir parar de pensar. Já outros...

Mas acho melhor parar por aqui.

A Coluna Invertebrada da Semana. Se gostarem repassem...

Coluna Invertebrada da Semana