sexta-feira, 7 de agosto de 2009

6 novos caminhos na UFRGS

da Zero Hora

Quem ainda não encontrou um bom motivo para estudar e ingressar em uma das maiores universidades do país ganhará nos próximos dias um incentivo de peso. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) prepara um dos editais mais atrativos dos últimos anos. Em 2010, seis graduações devem estrear na instituição, promovendo carreiras de ponta para quem quer se lançar aos desafios do avanço do conhecimento científico e tecnológico ou quer se comprometer com a melhoria da gestão pública.

Os novos caminhos na UFRGS são: Biotecnologia, Engenharia Física, História da Arte, Políticas Públicas, Serviço Social e Tecnologia em Química Analítica. O curso de Engenharia Física é uma novidade no Estado, e o de Serviço Social será o primeiro público na Capital. As seis graduações foram aprovadas pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) e devem ser confirmadas ainda este mês pelo Conselho Universitário para constarem da lista do próximo vestibular.

A aprovação de uma nova graduação na UFRGS exige um longo processo. O curso de Biotecnologia, por exemplo, está sendo estudado há mais de um ano. A graduação poderia ter estreado em 2009, não fossem as inúmeras exigências que a instituição deve seguir para criar novas vagas. Conforme a coordenadora do projeto, Irene Silveira Schrank, o currículo envolve 15 departamentos de seis institutos da universidade, com destaque para a Física e a Informática. Apoiado na recente definição da estratégia nacional de biotecnologia do governo federal, o curso vai oferecer ênfases inéditas no país, como a Bioinformática e a Biotecnologia Molecular.

– São carreiras de ponta, duas áreas novas com muita demanda. Os projetos Genoma, e os que buscam novas drogas, por exemplo, são dependentes da informática e os profissionais precisam conhecer as duas áreas. A Bioinformática será a primeira ênfase em graduação do país – diz Irene.

A empolgação da professora se espalha pela universidade. E não é só em faculdades que abrirão novos cursos. Seguindo o Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), a UFRGS ampliará cursos e vagas noturnas. Junto com as seis graduações que devem estrear no próximo vestibular, serão pelo menos 410 novas vagas na universidade. O destaque é a Odontologia, que vai ganhar uma turma exclusiva no turno da noite. Os alunos terão oito anos para se formar e a certeza de que será possível ser um futuro dentista sem deixar de trabalhar e garantir o sustento próprio. Quer mais um incentivo?

Site compila palestras dos 100 melhores cientistas do mundo


Você não faz parte dos círculos acadêmicos mais restritos? Não tem problema. Agora, a internet mostra pra gente o que os maiores cientistas do mundo têm a dizer sobre suas pesquisas. De Richard Dawkins (as incógnitas do Universo) a Craig Venter (a vida sintética), passando por Helen Fisher (o cérebro apaixonado). As fontes são TED, VideoLectures e até Youtube. Passa lá.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Houve uma época - L.F. Verissimo

da Zero Hora

Um dia falaremos do tempo em que se revelavam fotos e as crianças não nos entenderão. Perguntarão “Como, ‘revelava’?”, e contaremos que levávamos os rolos de filme para serem revelados, e só então sabíamos como as fotos tinham “saído”, se nenhuma cabeça tinha sido cortada e nenhuma paisagem reduzida a um borrão indecifrável. E aumentará a perplexidade das crianças. “Rolo?”. “Filme?”. Reagirão ao fato de que houve uma época em que a distância entre o “clic” e a foto pronta podia ser de semanas como hoje reagimos à lembrança, por exemplo, de que já existiu uma coisa chamada Gumex. Quem se lembra do que era Gumex que levante o dedo, se ainda tiver forças. Usei muito Gumex. Era uma espécie de gelatina cor-de-rosa que se aplicava ao cabelo para fixar o penteado. Vendia-se em potes ou em pó, para sua mãe misturar com água. O cabelo ficava duro. O Gumex não apenas mantinha seu topete armado em qualquer ventania, como servia de proteção contra eventuais objetos caídos do céu. Um problema: depois de passar o Gumex, você tinha poucos segundos para ajeitar o topete de modo a assegurar o máximo efeito, pois o endurecimento era rápido. Não havia tempo para muita criatividade.

Ninguém precisa mais esperar para ver suas fotos reveladas e as velhas câmeras com rolos de filme seguem o caminho do Gumex para o esquecimento, mas as novas câmeras não tornaram o ato de fotografar muito mais fácil, pelo menos para os recém-chegados ao mundo digital. Como bem sabe quem já teve que esperar, fazendo pose, que um fotógrafo descobrisse como funcionava a câmera digital de outro.

– É só apertar o botão.

– Qual?

– O da direita.

– Minha direita ou a sua?

– A sua, a sua.

– Não aconteceu nada.

– Tem que ficar apertando.

– Pronto. Deu. Ou não deu?

– Eu não vi o “flash”.

– Tinha que ter “flash”?

– Tinha. Tenta de novo.

Clic.

– Oba. Agora foi.

– Deixa ver como ficou...

– Acho que ficou boa.

– Você cortou a minha cabeça!

É verdade que as novidades nem sempre fazem esquecer o que havia antes. Como prova a volta do disco de vinil, quando parecia que o CD era definitivo.

Além de, dizem, o vinil gravar coisas que o CD não grava, deve haver um pouco de nostalgia nessa volta ao passado. Eu usaria de novo o Gumex, se ainda existisse. Mas cadê o topete?