sexta-feira, 13 de março de 2009

Esquerda, direita etc. - L.F. Verissimo

(retirado da zerohora)

O DNA não tem ideologia. Ou tem? Ele prova que todos nascem com o mesmo sistema de códigos e portanto são iguais – ponto para a esquerda – mas que cada indivíduo tem uma senha diferente, ponto para a direita, se bem que não necessariamente para os racistas. Na velha questão biologia x cultura, o DNA dá razão a quem diz que características adquiridas não são hereditárias, nenhuma experiência cultural afeta os genes transmitidos e a humanidade não ficará mais virtuosa com o tempo, muito menos socialista. Mas a própria descoberta do DNA e todas as projeções do que será possível fazer com a manipulação do material genético mostram como o ser humano pode, sim, interferir na sua própria evolução, e como existe nele uma determinação inata para o autoaperfeiçoamento. Parafraseando Marx: os cientistas sempre se preocuparam em compreender o ser humano, agora podem tratar de mudá-lo. Biologia não é, afinal, destino.

Mas a eugenia é uma ciência com uma péssima reputação. Seu apogeu anterior foi nos experimentos nazistas com prisioneiros durante a guerra. E o exato significado de “aperfeiçoamento” é discutível. Uma pessoa “melhor” é uma mais preparada, pela aparência e a capacidade físicas padronizadas, e pelo espírito empreendedor, para as competições da vida, ou uma pessoa mais solidária e mais tolerante com a variedade humana?

Essa indefinição ideológica dos nossos genes é apenas outra contribuição para uma longa lista de paradoxos. É “de esquerda” ser a favor do aborto legalizado e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado, embora sejam contra a interferência do Estado no resto da sua vida. A direita valoriza o indivíduo acima da sociedade, que é uma abstração, como dizia a Sra. Thatcher, mas aceita a desigualdade, ou o sacrifício de muitos indivíduos pelo sucesso de poucos, como natural. A esquerda muitas vezes atribui a um Estado impessoal ou a um líder superpersonalizado a incongruente realização de um ideal igualitário. Etcetera, etcetera. E, aparentemente, o DNA não vai nos dizer se estamos condenados a ser contraditórios de uma maneira ou de outra. Era só o que nos faltava, o DNA ser do centrão.

Feliz é a mosca, que tem mais ou menos a nossa estrutura genética mas absolutamente nenhuma curiosidade sobre o que ela significa.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A estudantes, Protógenes diz que dará "nome aos bois" na CPI

Pivô da polêmica sobre supostas ilegalidades em investigações de autoridades, o delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, afirmou ontem em Goiânia que vai "dar nome aos bois" quando for prestar esclarecimentos à CPI dos Grampos.

Protógenes foi convocado a depor novamente pela Comissão Parlamentar de Inquérito, que foi prorrogada por 60 dias após reportagem da revista "Veja" do fim de semana passado.

"Prestarei todos os esclarecimentos necessários. Inclusive sobre a participação das pessoas do cenário nacional. O Brasil saberá o nome de cada pessoa envolvida", declarou.

O delegado esteve em Goiânia participando de uma palestra promovida pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Goiás. Ao lado de representantes do PSTU goiano, ele contou com o apoio da plateia de cerca de 200 pessoas, a maioria formada por estudantes.

Logo na abertura, uma aluna da faculdade, identificada como Iara Neves, rasgou um exemplar da "Veja", sob aplausos da maioria presente. A publicação apontou supostas irregularidades nos métodos de investigação de Protógenes na Operação Satiagraha, que resultou na prisão, dentre outros, do banqueiro Daniel Dantas.

Referindo-se a Dantas como "Banqueiro Bandido", Protógenes disse que não teme a CPI e que até faz questão de ser questionado. "Estou muito tranquilo com essa questão. As provas são claras. Faço questão de ir à CPI." Ele também disse que não teme represálias: "Só temo a Deus. Tenho medo da desonra. Não da morte." Protógenes permaneceu em Goiânia até o final da manhã de hoje, quando seguiu para Brasília.

Ernesto Varela, questions and answers

Marcelo Tas ficou nacionalmente conhecido pelo seu personagem humorístico Ernesto Varela, um repórter fictício que ironizava personalidades políticas da época da abertura, apresentando-lhes perguntas desconcertantes. Ficou célebre e entrou para a história com a sua pergunta direta a Paulo Maluf que, surpreso, virou as costas e deixou a sala em que estavam:

"Muitas pessoas não gostam do senhor, dizem que o senhor é corrupto. É verdade isso, deputado?".

Veja algumas de suas perguntas "nada convenientes" (será que se escreve ainda assim?) no vídeo a seguir.


Abraços a todos
Beijo na moça[=P]

Início da reforma do Araújo Vianna está previsto para abril

(retirado da ZeroHora.com.br)

Em coletiva de imprensa na manhã de hoje, o secretário municipal de Cultura, Sergius Gonzaga, o arquiteto Moacyr Moojen Marques (um dos responsáveis pelo projeto original do auditório, em 1964) e o diretor da Opus promoções, Carlos Konrath, anunciaram oficialmente a reforma e reabertura do auditório. O início dos trabalhos de reforma está previsto para abril, porque o projeto ainda precisa da liberação do Estudo de Viabilidade Urbana (E.V.U.), por parte de todas as secretarias municipais envolvidas.

Fechado desde 2005, a previsão é que o Araújo seja reaberto 18 meses após o início dos trabalhos de reforma. Quando o auditório estiver em funcionamento, terá capacidade para 3 mil pessoas.

Pelo acordo entre a Opus e a prefeitura, por 10 anos após a reabertura, a produtora utilizará 75% dos dias do ano para seus eventos, enquanto a prefeitura terá os dias restantes para suas atividades. A Opus anunciou a intenção de que o auditório receba shows a preços populares, mas não fez estimativas de que valor teriam esses ingressos populares.

O novo Araújo, com recuperação do paisagismo em torno do prédio, reforma completa do interior, aumento das dimensões do palco e uma nova cobertura, desta vez não de lona, mas fixa, com material sintético. O teto manterá o formato sinuoso da cobertura antiga, também projetada por Moacyr Moojen. Um estacionamento, contudo, também sugerido no projeto, não está incluído por enquanto no conjunto da obra, que deve custar R$ 10 milhões.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ingressos para show de Paul McCartney esgotam "em 7 segundos" [OO]

O ex-Beatle Paul McCartney bateu o recorde mundial da venda mais rápida de ingressos, segundo os organizadores de um show que ele vai realizar em abril em Las Vegas, nos Estados Unidos.

De acordo com a empresa Concerts West, os bilhetes se esgotaram em apenas sete segundos. A apresentação, no dia 19 de abril, vai inaugurar a casa de espetáculos New Joint no Hotel e Cassino Hard Rock.

Cerca de 4 mil fãs de McCartney poderão assistir ao show.
A venda de ingressos começou no dia 14 de fevereiro e foram comprados quase 600 por segundo, segundo a Concerts West.

O recorde atual pertence ao grupo britânico Take That, que vendeu 600 mil ingressos para a turnê Circus, no ano passado, em quatro horas e meia. Mas o Livro Guinness dos Recordes ainda deve verificar se a alegação da Concerts West é verdadeira.

Ruy e Lauro, os inventores do futebol gaúcho

(Retirado do blogdodavidcoimbra)

O futebol gaúcho foi inventado por Ruy Carlos Ostermann e Lauro Quadros, nesta ordem. Primeiro o Professor, depois o Lauro. Lógico, houve uma fonte de dentro do campo na qual o Professor bebeu. Era Oswaldo Rolla, o Foguinho.

Foguinho foi o primeiro técnico a pregar o chamado futebol total. Foi o primeiro a exigir preparação física dos jogadores. Montou um Grêmio que venceria 12 de 13 campeonatos.

Por essa época, o Professor saía do jornal e percorria a pé a Rua da Praia para ter com Foguinho na alfaiataria em que ele, Foguinho, trabalhava. Conversavam durante horas, barrigas encostadas ao balcão, o Professor fascinado com as ideias do velho técnico. O Professor deu lustro às ideias de Foguinho, organizou-as em uma teoria coerente e com essa teoria fundamentou um novo estilo de comentário esportivo de rádio, um comentário em linguagem culta, de formato circular, que galvanizava os ouvintes.

Lauro enveredou por outra senda. Lauro fazia um comentário popular, sim, mas criativo. Para o Lauro, o jogador não fazia cera: “amorcegava” o jogo.

O Professor e o Lauro usavam linguagens diferentes para expressar a mesma ideia: o futebol de marcação, de dedicação, de empenho, de jogadores concentrados e profissionais. O Professor, mantendo sua elegância, nunca chegou a desdenhar abertamente do futebol alegre professado pelo resto do Brasil. O Lauro, sim. O Lauro identificou os “outros” como “os cariocos”.

Assim, havia dois “futebóis” no Brasil: o futebol “brasileiro”, de virtuosismo indolente, e o futebol gaúcho, prático, de resultados, de marcação implacável e obstinação farrapa. Esses conceitos foram disseminados pelos talentos dessemelhantes de Ruy & Lauro. Tão articulados eles eram, tão convincentes, tão diferentes de tudo o mais no rádio brasileiro, que os outros comentaristas os imitavam, ao mesmo tempo em que os odiavam. Raros foram os que trilharam caminho original, como Paulo Sant’Ana. Quase todos são filhos de Ruy & Lauro, embora sejam filhos rebeldes.

O discurso de Ruy & Lauro aproximava-se de tal maneira a um dogma que eles conseguiram transformá-lo numa verdade nacional. O futebol gaúcho, na verdade uma mera abstração, é reconhecido pelo Brasil inteiro. Todo mundo, no país, joga da mesma forma. Todo mundo tenta marcar, ocupar espaços e sufocar o adversário. Até os cariocos do Lauro jogam assim. Mas essas características só são reconhecidas quando praticadas por um time gaúcho. Que mágica poderosa possui a verve de Ruy & Lauro, capaz de forjar a identidade de uma nação!

A crise vista de um taxi

Essa foi a melhor explicação sobre a crise mundial que eu já vi [:D]

terça-feira, 10 de março de 2009

Tensão no gabinete do presidente da Corsan

(retirado da ZeroHora.com.br)

Poucas horas depois de a governadora Yeda Crusius anunciar que a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) alcançou em 2008 lucro recorde de R$ 211,9 milhões, o diretor-presidente da empresa, Mário Freitas, e dois assessores foram atacados e feitos reféns por um prestador de serviços na sede da estatal por conta de uma dívida de R$ 183 mil. Acompanhado de uma sobrinha, o homem cobrava uma suposta dívida da estatal com uma prestadora de serviço.

Armada com revólveres, por volta das 16h40min, a dupla subiu até o 18º andar do prédio localizado na Rua Caldas Júnior, 120, no centro da Capital, sem despertar suspeitas. Identificado como Marcelo Vargas, 27 anos, o empresário queria o depósito imediato em sua conta de R$ 183 mil, referentes a serviços que suas duas empresas teriam prestado à Corsan no ano passado. Como já era conhecido dos funcionários, não chamou a atenção dos seguranças ao entrar.

Ao chegar ao gabinete da presidência, encontrou Freitas de saída da sala. Ao questionar o presidente sobre a dívida, ouviu que teria de aguardar o fim de uma sindicância que averiguava notas fiscais emitidas pela sua empresa. Vargas, então, sacou um revólver calibre 38. Atitude imitada pela sobrinha Lucimara de Fátima Feles, 22 anos, que escondia na bolsa um revólver calibre 32. A dupla obrigou o diretor e dois assessores a entrar no gabinete, dando início ao inusitado cárcere privado.

Por duas horas e 40 minutos, os reféns foram mantidos na sala na mira de revólveres. Enquanto isso, o prédio era esvaziado pela Brigada Militar, que isolou a área, transtornando o centro da Capital. Dezenas de policiais militares cercavam o local, enquanto as negociações ficaram a cargo do major do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) César Augusto Pereira da Silva, que conversava com Vargas da antessala da presidência.

Rendição ocorreu em duas etapas

Mesmo depois de o depósito bancário ter sido feito pela Corsan na sua conta, o empresário ainda manteve os reféns presos por mais de uma hora. Queria garantias da sua integridade física e a de sua sobrinha, já que o local estava cercado por policiais militares, entre eles, atiradores de elite. Nervoso, também pediu que lhe fosse entregue uma caixa com tranquilizante, que alega tomar sob prescrição médica. Por telefone, ele chegou a desabafar com o negociador da Brigada Militar: estaria sendo vítima de um agiota, que teria ameaçado sua família de morte.

Atendidos todos os pedidos dos invasores, a rendição ocorreu em duas etapas. Primeiro, a jovem saiu do local. Depois, as armas usadas no ataque foram jogadas pela porta por Vargas, que saiu do gabinete com os reféns, por volta das 19h20min.

Minutos após ser libertado, o presidente da Corsan explicou que sindicâncias para comprovar a realização de serviços terceirizados haviam se transformado em rotina na estatal nos últimos meses, o que impediu a empresa de pagar alguns fornecedores. Em setembro, quatro diretores da antiga Superintendência do Vale do Sinos, com sede em Canoas, foram demitidos por suspeita de irregularidades constatadas em uma sindicância em oito contratos de obras e prestação de serviços, totalizando R$ 140 mil, entre setembro e dezembro.

Outras 80 notas de serviços prestados naquela época à sede de Canoas tiveram os pagamentos suspensos. Entre elas, as emitidas por Vargas. Uma comissão estava encarregada de avaliar se o preço estava adequado e se as empresas de Vargas haviam realizado o serviço. O empresário, no entanto, decidiu não esperar, mesmo sendo informado dos problemas.

Tarso diz que Protógenes pode ter cometido "graves irregularidades"

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse hoje que o delegado federal Protógenes Queiroz pode ter cometido graves irregularidades durante o comando da Operação Satiagraha.

O ministro comentou as denúncias feitas pela revista Veja de que o delegado teria grampeado ilegalmente integrantes do governo, durante a entrega da medalha Mérito Segurança Pública do Distrito Federal, no Clube do Exército.

Porém, Genro ressaltou que já existe um inquérito em curso para apurar a conduta de Queiroz, que poderá ser submetido a uma sindicância.

— A Polícia Federal tem que dar exemplo para a sociedade no sentido que ela também sabe cortar na própria carne — afirmou.

Segundo o ministro, as investigações envolvendo o banqueiro Daniel Dantas não perderam o rumo após o afastamento de Queiroz do comando do inquérito.

— Está sendo feito um trabalho para que as investigações estejam cada vez mais dentro da lei — garantiu.

AGÊNCIA BRASIL

OS de minha parte: Boa parte da população sabe que a revista VEJA faz parte da "imprenssa marrom" no Brasil... é os sujos falando de mal-limpos... sem falar do dôssiê do Dantas... vale conferir...
see yah
\o

segunda-feira, 9 de março de 2009

José Dirceu diz que ficou mais tempo no Exterior porque temia ser preso


Um dos principais alvos de uma rede de espionagem que teria sido comandada pelo delegado federal Protógenes Queiroz, o ex-ministro José Dirceu afirmou ontem em Canoas, durante encontro com petistas gaúchos, que passou mais tempo no Exterior no ano passado porque temia ser preso na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

— Eu sabia que Protógenes Queiroz tinha como objetivo principal me prender para apresentar isso como grande troféu — afirmou.

E acrescentou:

— Imagina se eu tivesse sido preso naquele dia junto com Daniel Dantas (dono do Grupo Opportunity)? Já passei pelo que passei no mensalão. Imagina se eu tivesse sido preso?

Deputado cassado em 2005, Dirceu foi um dos alvos da espionagem realizada por Protógenes, como mostrou a revista Veja. Conforme a reportagem, o delegado usou métodos ilegais para investigar autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário, além de pessoas do círculo pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A lista de investigados incluiria a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o filho do presidente Fábio Luiz da Silva.

Parte das denúncias publicadas pela revista já eram conhecidas, como as suspeitas de que Dirceu e os senadores do DEM Heráclito Fortes (PI) e ACM Júnior (BA) teriam atuado como lobistas de Dantas. A revista indica que a Polícia Federal começou a divulgar os arquivos pessoais do delegado que comandou a Satiagraha – instalada para investigar apenas Dantas, mas que teria ido além de suas atribuições.

Dirceu disse ontem que houve quatro tentativas de envolver seu nome em inquéritos, um deles o da Satiagraha. Também intrigaram o ex-ministro o arrombamento em seu escritório e o furto de computador e documentos em outra invasão, desta vez na sua residência.

— Protógenes falava a quem quisesse ouvir que queria me prender. Comecei a andar acompanhado, a colocar segurança na minha casa.

No ano passado, ele percorreu 15 países por conta de compromissos profissionais. Somando-se todos os roteiros, Dirceu afirma ter ficado quase quatro meses longe do Brasil:

— Como não sou policial, mas tenho experiência suficiente de como esses mecanismos funcionam, resolvi ficar mais tempo no Exterior.

Num dos relatórios apreendidos pela PF na casa de Protógenes, Dirceu é chamado de Zeca Diabo, numa referência ao personagem de um pistoleiro da novela O Bem Amado.