Da ZeroHora.com.br
Foi-se o tempo em que Hollywood temia comprar briga com a Igreja Católica tanto quanto o diabo foge da cruz. A indústria cinematográfica aperfeiçoou tanto sua engrenagem de marketing que a boa polêmica agora faz parte da estratégia de promoção de um filme, especialmente aquele que não passa pela aprovação da parcela mais exigente da crítica.
É o caso de Anjos e Demônios, em cartaz a partir de hoje nos cinemas. O filme dirigido por Ron Howard segue a trilha de seu antecessor, O Código Da Vinci, longa que a despeito da desaprovação do Vaticano – ou justamente pelo barulho provocado três anos atrás – faturou, apenas nos cinemas, mais de US$ 700 milhões.
Da realização ao lançamento, os produtores fizeram questão de divulgar todas as querelas com o Vaticano, do veto às filmagens em suas dependências à esperada desaprovação ao resultado final, sabedores que imbróglios deste vulto geram expectativa e garantem espaço na mídia.
Anjos e Demônios adapta o livro homônimo que o escritor americano Dan Brown lançou antes do best-seller O Código da Vinci. Mas para o cinema a nova gincana do simbologista Robert Langdon (outra vez vivido por Tom Hanks) foi colocada cronologicamente como posterior à trama encenada em 2006. Depois de sacudir os pilares da fé cristã tentando provar que Jesus e Maria Madalena geraram descendentes, Langdon tem sua condição de persona non grata no Vaticano revogada por uma emergência.
E sua nova aventura é tão enigmática quanto complexa, com foco no sempre quente debate entre fé e ciência. Na trama, a Santa Sé encontra-se sob tensão extrema. O papa morreu, e durante o processo de escolha de seu sucessor uma organização secreta, os Illuminati – criada no século 16 por Galileu Galilei para abrigar cientistas perseguidos pela Igreja –, ressurge com uma ameaça. Em poucas horas provocará uma explosão apocalíptica graças ao artefato que tem em mãos: uma amostra da antimatéria, a partícula de Deus, concentração da energia que originou o Universo.
Langdon se lança então em uma frenética jornada por Roma, decifrando pistas contidas em antigos escritos e em imagens religiosas seculares para ligar os pontos que o leve até o temido experimento – ele conta com a ajuda de uma nova parceira, a cientista Vittoria Vetra (Ayelet Zurer).
Se no livro explicações podem ser digeridas ao voltar uma página, no filme Anjos e Demônios (como em O Código Da Vinci) o espectador mal tem tempo de absorver o excesso de informações que dê alguma liga à narrativa. Assim, resta relaxar e tentar acompanhar Tom Hanks no tour por uma Roma mitológica, roteiro que nos pacotes turísticos deve ser bem menos confuso.
MARCELO PERRONE
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