(RETIRADO do blog portrasdaletra.blogspot.com)
(Lamartine Babo)
Voltei a cantar
porque senti saudade
do tempo em que eu andava pela cidade
Com sustenidos e bemóis
Desenhados na minha voz
E a saudade rola, rola
Como um disco de vitrola
Começo a recordar
Cantando em tom maior
E acabo no tom menor
Voltei a cantar
porque senti saudade
do tempo em que eu andava na cidade
Com sustenidos e bemois
Desenhados na minha voz
Ó meu samba, velho amigo
Novamente estou contigo
Uma vida me transtorna
Como um filho à casa torna
De ti nunca me esqueci
Este samba de Lamartine Babo, que ganhou notoriedade na voz de Mário Reis, foi o escolhido por Chico Buarque para abrir seu show “Carioca”, depois de sete anos de recesso. No show “Paratodos”, o cantor já havia composto “De volta ao Samba” com o mesmo fim: desculpar-se com seus fãs por tão longa ausência.
Desta vez, talvez por reconhecer a genealogia de seu canto, Chico Buarque tenha optado por retornar aos palcos homenageando Mário Reis e tomando emprestados os versos de Lamartine, carioca como ele e o nome de seu show.
Mário Reis era dono de voz fina como a de Chico, descobridor de divisões inusitadas, mestre no uso do microfone e destoava dos cantores de vozeirão, predominantes nos anos 30 e 40. Foi um dos principais intérpretes da obra de Noel Rosa e - o que muitos não sabem - chegou a gravar, já em fim de carreira, "A Banda", de Chico Buarque.
Além disso, Mário Reis era um bon vivant. Morou muitos anos no Copacabana Palace e privava da companhia dos mais ricos aristocratas cariocas. Talvez por isso, às vezes, sua carreira era negligenciada e Mário anunciava que iria encerrá-la. Depois mudava de idéia, retomando-a e redobrando o sucesso. Obviamente, foi numa dessa ocasiões, em 1939, que Lamartine Babo compôs “Voltei a Cantar” a pedido do amigo, para que este abrisse seu show de retorno “Jujoux e Balangandans”, no Theatro Municipal.
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